Sei que vivo num mundo em que se sobrevaloriza o belo. Sei, também, que o belo é isso mesmo, belo e daí não conseguir perceber porque é que o belo tem que ser sobrevalorizado. A beleza está lá, mesmo que não se veja como óbvia. Os estereótipos criados pela sociedade em que vivemos, manipulada pelo marketing mais ou menos agressivo, nada tem a haver com a verdadeira beleza. Criam-se padrões distorcidos do que é natural, do que é verdadeiramente belo, porque simples.
Escravos destes estereótipos, à mercê das "sanguessugas" do dinheiro, deixamo-nos levar pela ilusão da eterna juventude, como se a aparência jovial fosse a dona e senhora da vida.
Ora! Tenham paciência!
Eu tenho orgulho nas rugas do meu corpo. Cada vez que me olho ao espelho, converso com aquelazinha que lá está e mimo-a pelas gargalhadas que já deu, pelas lágrimas que já chorou, pelas alegrias e tristezas, pelos fracassos e sucessos, pelas quedas e pelas vezes sem fim que se ergueu, pelas emoções vividas, sofridas e sentidas, pelos ensinamentos e experiências partilhadas, pelas amizades e pela família, pelo que aprendeu e ensinou e por tudo o resto que dá significado à vida.
Se eu mudaria alguma coisa?
Talvez; Arranjaria espaço para mais umas ruguinhas. §;-)